
A dois dias das eleições legislativas e a um dia do GP da Arábia Saudita, há ainda muita coisa a ser decidida no que diz respeito a estas duas competições, sejam elas de egos, de partidos ou de carrinhos às voltas numa pista de Jeddah. Assim, e porque nem só de Tinder se faz o Sou Aurora, hoje decidi brincar aos circuitos e ver por onde anda o Verstappen de Portugal.
Para esta analogia vamos considerar os oito partidos com assento parlamentar e os seus pilotos na corrida à Assembleia.
CDU – Paulo Raimundo
Seguindo a onda das sondagens, vamos ao último classificado da tabela para repescar Paulo Raimundo e a CDU. Sendo esta uma coligação de esquerda, até poderia ir buscar o equipamento da Visa Cash App RB para levar os verdes e os comunistas à Assembleia, mas acho que o vermelho da Ferrari lhes assenta melhor. Com uma história e um passado a puxar para o glorioso, estes dois (a Scuderia Ferrari e a CDU) já não são mais o que eram. Têm pessoas leais a trabalhar consigo, pilotos com talento, mas demasiado foco na tradição e naquilo que um dia foram.
No entanto, nem só de rojo se faz esta coligação e, num cenário um tanto ou quanto imaginário, ainda podíamos ver o Paulo Raimundo no papel de Kimi Räikkönen. Com experiência, calma e consistência, estes dois poderiam ser um só e mostrar ao eleitorado que um tipo reservado e pouco expressivo também pode singrar.
PAN - Inês Sousa Real
E se vamos falar do PAN, a palavra de ordem é ambiente e o piloto que nos vem à mente é o rei Sebastian Vettel. Nem vale a pena enrolar. Se é PAN e se é Inês, então tem de ser o Vettel. E ainda que sejam escusadas as justificações, não vos vou poupar a tal. Ambos comprometidos com causas sociais e ambientais, tanto a Inês Sousa Real como o Vettel representam uma postura humanitária e isso basta para os unir aos dois.
E como para cada piloto também precisamos de uma equipa, o PAN foge da grelha atual e, segundo sei, vai para o circuito do Algarve com a estrutura da Alfa Romeo. Levam uma abordagem fresca, um foco na sustentabilidade, uma base de apoio crescente, mas, por este andar, uma saída do panorama. Falta-lhes um pouquinho mais.
Livre – Rui Tavares
Ainda pelos partidos mais à esquerda, vamos agora dar uma voltinha ao pit lane da Alpine. Com o objetivo de se tornar uma das principais equipas de Fórmula 1 (mas ainda longe disso), a Alpine, assim como o Livre, tem programas direcionados ao desenvolvimento dos jovens e um longo caminho por percorrer.
Parando agora para pensar no homem que assume conhecer a Patrulha Pata, acho que podemos concordar que faria uma boa exibição no capacete do dinamarquês Kevin Magnussen. Mais do que o conhecerem a ele, já todos conhecem a sua filha, a pequena Laura e isso diz muito sobre eles. Sobre eles e sobre Rui Tavares que também tem feito o “mimo” aos portugueses, ao demonstrar o carinho que tem pelas suas crias.
Bloco de Esquerda – Mariana Mortágua
E o Bloco está para Portugal como a Williams está para a Fórmula 1. A tradição está lá, a luta para se manterem competitivos está lá, as ideias progressistas estão lá, a vontade de fazer justiça também lá anda, mas os jovens com quem partilham a sua missão ainda não os conseguiram levar mais longe. E está tudo bem com isso, talvez com algumas mudanças cheguem lá.
E de Alvito a Monte Carlo ainda vai uma distância, mas nada que Charles Leclerc não resolva com um pézinho no acelerador. Com um entusiasmo notório e com paixão pelo que fazem, ambos (a Mariana e o Leclerc) tentam levar as suas equipas o mais longe possível apesar das dificuldades. Adeptos da inovação e populares entre os mais jovens, quem sabe se um dia ainda podem liderar nas suas ligas.
Iniciativa Liberal - Rui Rocha
Finalmente numa saída mais à direita, vemos agora a IL a fazer vrum vrum no carrinho verde da Aston Martin. Com ideias liberais e proativas, abordagens ousadas e disruptivas, Rui Rocha até poderia chegar longe numa parceria com a equipa britânica. Defensores da liberdade individual e com uma forte base de apoio entre os empreendedores, quem sabe em que lugar ficarão na corrida à Assembleia.
Um tanto ou quanto associado aos ”betos” e aos meninos dos papás, acho que podemos ligar Rui Rocha ao ambicioso Lance Stroll. Impulsionados pelo desejo de vencer e de alcançar o sucesso, são ambos confiantes nas suas habilidades e no seu potencial. Assim, o que será que lhes está a faltar para atingirem outro patamar?
Chega - André Ventura
Para os nossos colegas mais à direita, decidi alugar um Haas. Com equipas mais recentes, quando comparadas a outras tantas, são ainda muito associados a abordagens mais controversas e um tanto populistas. A base de apoio é um pouco instável e por vezes nem sabemos de onde vem.
Aqui, admito que tive alguma dificuldade. Não sabia bem a quem associar o carismático André Ventura, mas com um pouco de pesquisa lá encontrei o seu parceiro. Inteligente, estratega, fã de futebol e com um histórico de relações difíceis com as suas equipas anteriores, encontrei no Fernando Alonso o fato perfeito para vestir ao benfiquista André Ventura. Com experiência, mas sem grandes títulos desde 2006, talvez Alonso conseguisse ensinar algo ao nosso português de bem.
PS – Pedro Nuno Santos
Regressando agora à esquerda e indo buscar o partido dos comboios, trago, para os nossos socialistas, a equipa da Mercedes AMG. Os pilotos são experientes e talentosos, a equipa é eficiente e focada na gestão dos seus recursos, os patrocinadores não lhes faltam, mas algo anda a correr mal. Não sei se é do carro, da estratégia ou do Hamilton com o pézinho na Ferrari, mas a verdade é que as vitórias estão escassas e o tempo está cada vez mais curto.
E para não fazermos outra paragem e perdermos mais tempo a trocar os pneus, vou deixar que Pedro Nuno Santos permaneça na Mercedes e faça pandã com o próximo menino a vestir de rojo. Experientes, talentosos e com queda para o calculismo, são bons, mas talvez (neste momento) não sejam bons o suficiente para voltarem ao pódio.
AD - Luís Montenegro
Após um longo desfile, estamos a chegar ao fim. E quem mais poderia ser, se não fosse a Red Bull a completar a brincadeira. Competitivos e num desafio constante com os colegas da Mercedes, tanto a AD como a Red Bull lutam constantemente pela vitória. Têm pilotos ambiciosos e com algumas histórias que nem sempre agradam a gregos e a troianos. Agressivos, inovadores e com forte apoio de fãs, andam a liderar as sondagens, mas ainda é cedo para saber se vão voltar a vencer.
E tal como não quisemos roubar tempo aos socialistas, também não iremos roubar aos democratas. Vou-lhes poupar o pit stop e deixá-los ficar com o holandês do momento, Max Verstappen. Ambicioso, agressivo, determinado e focado na vitória, será esta a alma gémea de Luís Montenegro?
Para terminar, e porque vale sempre a pena lembrar, o Dia da Mulher é hoje (e que bom é termos lugar na F1 e na Assembleia), o GP é amanhã (09 de março) e as eleições são no domingo (10 de março). Não se esqueçam de ir votar!