
Se há coisa que me agrada é a fruta. Seja em salada, seja na pizza, seja diretamente de uma laranjeira. E tal como um macaco gosta de bananas, eu gosto da minha salada de frutas. Já tive a fase dos morangos, a fase das cerejas, a fase das framboesas, e agora tenho a fase da nêspera.
Agora eu gosto de nêspera. Não é no plural, é no singular. Gosto de uma nêspera em específico. Gosto da minha pequena nêspera. Não é aquela que comprei no minimercado da tia Maria, ou no supermercado aqui da Vila. É a minha.
Gosto de como me faz feliz. Gosto de como me deixa enjoada (apesar do tanto que eu reclamo). E gosto do facto de, na próxima semana, já não ser mais uma nêspera e passar a ser maçã.
É uma fruta peculiar e acreditem, fui eu quem fez. Não vale perguntar a receita, pois nem eu sei as quantidades. Foi feita a olho e a olho visto já está a crescer.
É uma nêspera com sexo, só ainda não sei qual é. É uma nêspera que adora doces e não abdica de uns chocolates. É uma nêspera que me acorda a reclamar e se deita a pedir só mais um docinho.
É uma nêspera e é a estranheza de dizer que é um bebé. É uma nêspera e é a ansiedade de saber que é um bebé.
É o sentimento de parecer que ainda estou na adolescência. É o gostar de ir ao hospital só para a ver mais uma vez. É o não querer dizer a ninguém e o querer contar a toda a gente. É o pesquisar na internet como é que vai ser quando a tiver. É um montão de muitas coisas e um turbilhão de tantas outras. É o tamanho de uma nêspera e o cuidado de uma flor. Na realidade, é o querer que deixe a fruta e que passe ao biberon.
É muita coisa. É uma nêspera. E é um bebé.